As Duas Rotas para 5G: SA e NSA

Quando falamos de redes privativas 5G, existem duas arquiteturas possíveis: Non-Standalone (NSA) e Standalone (SA). A diferença está na infraestrutura que sustenta a rede, com impactos diretos no desempenho e nas capacidades disponíveis.

Em redes NSA, o 5G funciona como uma faixa expressa adicionada a uma rodovia 4G existente. A infraestrutura 4G continua gerenciando o controle de tráfego (plano de controle), enquanto o 5G oferece faixas mais rápidas para os dados (plano de usuário). É como adicionar pistas de alta velocidade a uma autoestrada já construída, mantendo o sistema de pedágios e sinalização original.

Já as redes SA são uma infraestrutura completamente nova, desde o asfalto até o sistema de controle de tráfego. O core 5G gerencia tudo, permitindo funcionalidades que a infraestrutura 4G simplesmente não consegue suportar. É a diferença entre adaptar uma estrada antiga e construir uma rodovia moderna do zero.

Por Que o Brasil Escolheu SA para Redes Públicas

Em fevereiro de 2021, a Anatel definiu que as operadoras deveriam implantar redes 5G Standalone desde o início, em vez de passar pela etapa intermediária de redes Non-Standalone . Essa decisão tornou a implantação inicial um pouco mais custosa, mas permitiu que o Brasil avançasse diretamente para a arquitetura mais capaz.

Em dezembro de 2024, todos os 5.570 municípios brasileiros foram aprovados para receber tecnologia 5G SA.

Redes Privativas: Por Que a Arquitetura Importa

Para redes privativas industriais, a escolha entre SA e NSA tem implicações práticas significativas.

Capacidades Disponíveis Apenas em SA
  • Network Slicing: A capacidade de criar "fatias" virtuais da rede, cada uma otimizada para diferentes aplicações. Como dividir uma rodovia em faixas dedicadas – uma para veículos de emergência, outra para transporte de cargas pesadas, outra para tráfego expresso.
  • Latência Ultra-Baixa: Essencial para controle industrial em tempo real. Redes NSA ainda dependem do core 4G para sinalização, o que adiciona latência que pode ser crítica em aplicações como robótica industrial.
  • Massive IoT: Suporte para milhões de dispositivos conectados simultaneamente, fundamental para agricultura de precisão e manufatura inteligente.
  • Controle Granular de QoS: Capacidade de priorizar tipos específicos de tráfego com precisão, garantindo que aplicações críticas sempre tenham os recursos necessários.

SA em Ação

Baicells implantou rede 5G privativa no Autódromo Velo Città em Mogi Guaçu (SP) para transmitir vídeo ao vivo de dentro dos carros para espectadores, equipes de corrida e outros stakeholders. A baixa latência do SA é fundamental para que as transmissões ocorram em tempo real.

A Nestlé implantou uma rede 5G Standalone privativa para aplicações industriais em sua fábrica em Caçapava , São Paulo. Empresas como Anglo American, AMAGGI, Ambev, e John Deere também têm projetos de redes privativas em múltiplos sites no Brasil .

Equipamentos para Redes SA no Brasil

Para implementar redes 5G SA, são necessários gNodeBs (estações base 5G) compatíveis com modo Standalone e um core 5G. Equipamentos como os gNodeBs Baicells, que suportam operação SA na faixa de 3,7-3,8 GHz disponível no Brasil, oferecem a flexibilidade de operar com core 5G embarcado ou externo, permitindo desde implantações compactas até redes empresariais de grande escala.

Para backhaul – a conexão entre a estação base e o core da rede – soluções de ponto-a-ponto como as oferecidas pela Mimosa garantem a capacidade e latência necessárias para transportar o tráfego 5G sem criar gargalos que comprometeriam os benefícios da arquitetura SA.

NSA Ainda Faz Sentido?

Para empresas que já possuem infraestrutura 4G LTE privada estabelecida e querem adicionar capacidade 5G gradualmente, NSA pode ser uma rota de migração. O investimento inicial é menor, pois aproveita o core 4G existente. Porém, funcionalidades como network slicing completo e as latências mais baixas possíveis ficam indisponíveis.

Dados da Ookla mostram uma particularidade interessante no Brasil: a velocidade média de download do 5G SA no Brasil foi de 373,56 Mbps, enquanto o 5G NSA alcançou 433,04 Mbps no quarto trimestre de 2025. Isso contraria o padrão global, onde SA geralmente é mais rápido. Uma possível explicação é que o 5G Standalone ainda está disponível em quantidade limitada de ERBs, fazendo com que a concentração de usuários nessas antenas seja maior , comprometendo a velocidade.

Porém, para redes privativas, esse cenário não se aplica da mesma forma. O número de usuários é controlado e previsível, permitindo que SA entregue seu desempenho máximo sem a saturação observada em redes públicas.

O Futuro das Redes Privativas no Brasil

A arquitetura SA representa o caminho para aproveitar plenamente as capacidades do 5G. Para empresas planejando redes privativas de longo prazo, especialmente aquelas com requisitos de latência crítica, controle industrial em tempo real, ou grandes quantidades de dispositivos IoT, SA oferece a infraestrutura necessária para suportar não apenas as aplicações atuais, mas também as inovações futuras.

A Telesys fornece no Brasil, com mais de 28 anos de trajetória, equipamentos small cells eNodeB e gNodeB Baicells, soluções de backhaul Mimosa e infraestrutura completa para redes privativas, trabalhando com integradores especializados:

  • Portfólio completo: eNodeBs, gNodeBs, backhaul, core network, antenas, acessórios
  • Suporte técnico: Dimensionamento de projeto, cálculo de link budget, planejamento de RF
  • Assistência regulatória: Orientação sobre processo Anatel e documentação técnica
  • Capacitação: Treinamentos para equipe técnica em implementação e otimização
  • Estoque nacional: Disponibilidade imediata
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